De que tipo de gente eu sou?
Eu sou do tipo que pensa demais antes de falar. E mesmo assim fala o que não devia.
Do tipo que diz “entendi” só para a conversa seguir, mesmo com metade das dúvidas engasgadas na garganta.
Sou do tipo que sente muito e explica pouco.
Tenho vontade. Muita. Mas nem sempre coragem. Às vezes deixo passar. Às vezes deixo acumular. Se deixar, eu passo o dia inteiro rolando timeline, vendo qualquer coisa na TV, fugindo do que eu deveria estar fazendo. Gosto de cerveja e café sem açúcar, gosto de música, gosto da madrugada. que elas foram feitas para criar qualquer coisa.
Durmo de um jeito e acordo de outro. Às vezes acordo até diferente por dentro.
Falo sozinho. Discuto com o controle remoto. Odeio perder no videogame. Não sei odiar alguém por mais de 24 horas. Assisto jogo do Flamengo quase sempre de pé, como se minha indignação pudesse mudar o resultado. Xingo, reclamo, vibro. Vivo intensamente aquilo que, no fundo, é só um jogo. Talvez porque eu precise sentir alguma coisa sem filtro.
Sou do tipo que não gosta de falar de si — e aqui estou eu, fazendo exatamente isso.
Sou do tipo que dentro de casa é descalço. Fora, sempre calçado. Não me preocupo tanto com o que vão pensar dos meus devaneios nem da camisa amassada. A vida passa e a gente nem vê!
Sinto saudade com facilidade. Sonho sabendo que estou sonhando e aproveito para voar. No sonho eu faço tudo o que na vida real ainda não tive coragem. Tomo banho de chuva como quem lava a alma. Entro num rio com a mesma euforia de uma criança num parque de diversões.
Sou do tipo que acredita em dias melhores mesmo acordando quase sempre de mau humor. Do tipo que quer tudo agora, mas vive pedindo paciência aos outros. Que ouve a mesma música dezenas de vezes seguidas porque, em algum ponto, ela diz o que eu ainda não sei explicar.
Valorizo as amizades. Tento me colocar no lugar das pessoas. Leio rótulos. Durmo com o travesseiro entre as pernas e o lençol na cabeça, como se isso organizasse o mundo por algumas horas.
Invento desculpas quando a preguiça vence. Tento não repetir erros, mesmo repetindo alguns. Culpo o governo por quase tudo (falueli) e fiz!, mas no fundo sei que a responsabilidade maior quase sempre é minha.
Sou do tipo contraditório. Intenso e disperso. Seguro em alguns dias, completamente perdido em outros.
Mas, acima de tudo, sou do tipo que quer viver direito. Que quer tirar o sumo do supra-sumo da vida. Que ri do tempo, mesmo sabendo que ele nunca ri de volta.
Talvez eu não saiba exatamente que tipo de gente eu sou.
Mas sei que sou do tipo que continua tentando descobrir.


👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻🫰🏻