36 anos: o peso do passado e o motivo para continuar

Hoje eu faço 36 anos.

Carrego nas costas uma juventude agitada, cheia de excessos, noites fora de casa, festas em lugares que mal lembro o nome, pouco dinheiro e histórias demais pra contar. Vivi tudo no limite, como se o amanhã nunca fosse chegar.

E talvez agora eu esteja pagando por isso.

Não envelheço tão bem quanto gostaria. Sinto o peso das escolhas, das irresponsabilidades dos meus vinte e poucos anos. A vida cobra. E cobra caro.

Depois dos 30, a gente começa a perceber coisas que antes não faziam sentido… Hoje eu sei que já tenho mais passado do que futuro. E isso muda tudo.

Quem me conhece sabe muito bem da minha paixão por cerveja. Aquela que, muitas vezes, me fez cometer algumas loucuras… e outras nem tanto — como comprar cerveja sem álcool só pra não perder o costume, mesmo que fosse só pra dançar um forró com minha irmã.

Mas a vida também trouxe pausas.

Foram meses sem álcool. Meses lidando com uma crise de ansiedade severa que chegou sem avisar, justamente quando tudo parecia estar no lugar, funcionando em perfeita sincronia. E foi aí que eu entendi: às vezes, a calmaria é só o começo de um caos que a gente ainda não consegue ver.

Não foi fácil. Ainda não é.

Entre medicamentos, tentativas, dias bons e outros nem tanto… eu sigo me tratando. Sigo tentando entender, aceitar e continuar.

Porque hoje eu sei de uma coisa que levo pra vida:
os problemas da vida… se resolvem em vida.

Me resta tentar fazer melhor daqui pra frente. Me cuidar. Diminuir os danos. E, principalmente, estar presente.

Porque hoje, se eu ainda estou aqui… é por ela.

Minha filha.
Com esse jeito doce, essa aura leve, quase de anjo. Meu maior motivo. Minha razão de continuar mesmo quando a cabeça pesa, quando a paciência falha, quando tudo dentro de mim parece prestes a desmoronar.

Eu erro. Eu canso. Eu falho.

Mas eu tento.

Tento dar atenção, tento ser melhor, tento não deixar o caos tomar conta. Porque se eu estou aqui por ela, então o mínimo que eu posso fazer… é realmente estar.

E eu não vim até aqui pra desistir agora.

Eu vou continuar tentando.

  • 6 de abril de 2026
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