O peso do que nunca vai embora

Queria aprender a deixar certas coisas morrerem no tempo certo.
Tem sentimento que insiste em continuar respirando mesmo depois de destruído, mesmo depois do silêncio, mesmo depois da despedida. E talvez seja isso que mais me desgaste: carregar algo que já acabou como se ainda existisse em algum lugar dentro de mim.

Ando cansado de fingir que está tudo bem.
Cansado de responder “tô tranquilo” enquanto a cabeça vira madrugada inteira sem descanso. Existe um tipo de dor que não faz barulho nenhum, mas corrói aos poucos. E pior que ela não aparece de repente. Ela vai se acumulando em detalhes pequenos, em lembranças aleatórias, em músicas que deveriam ser normais e acabam virando gatilho.

O mais difícil foi perceber que algumas pessoas conseguem esconder quem realmente são por muito tempo.
E quando a verdade aparece, ela vem pesada. Vem quebrando toda aquela imagem bonita que a gente criou.

Eu olho ao redor e vejo pessoas vivendo normalmente, seguindo em frente, construindo planos, sorrindo sem esforço. Enquanto isso, eu continuo aqui, tentando juntar partes minhas que ficaram espalhadas pelo caminho.

E ninguém percebe.

Porque eu aprendi a esconder muito bem.

Aprendi a transformar caos em silêncio.
Aprendi a sorrir quando queria desaparecer.
Aprendi a ficar quieto porque toda vez que tentei explicar o que sentia, parecia exagero para os outros.

Só que dentro da minha cabeça tudo continua acontecendo ao mesmo tempo.

As noites são as piores.
É nelas que os pensamentos ficam altos demais. O passado volta sem pedir licença, trazendo rostos, frases, momentos e versões minhas que eu queria esquecer. Às vezes sinto falta até de quem me destruiu, e isso talvez seja a parte mais humilhante de tudo.

Eu sei que deveria deixar isso morrer.

Mas existe uma diferença enorme entre entender e conseguir.

Tem gente que acha que é drama, carência ou exagero. Não é. É só o peso de carregar sentimentos que nunca encontraram um lugar seguro para existir. É viver tentando parecer forte enquanto tudo desmorona por dentro em silêncio absoluto.

E o pior é que o tempo passa.

Passa rápido.

O mundo continua seguindo, as pessoas seguem suas vidas, os dias continuam acontecendo… e eu continuo preso em pensamentos que ninguém vê. Como se uma parte minha tivesse ficado parada em algum momento que já acabou faz tempo.

Talvez eu esteja cansado porque passei anos tentando suportar tudo sozinho.
Talvez eu esteja vazio porque me acostumei a guardar coisas demais.
Ou talvez exista um limite para continuar fingindo que certas dores não existem.

Só sei que ultimamente tenho sentido minha mente distante de mim mesmo.

Como se eu estivesse aqui… mas não completamente.

  • 6 de maio de 2026